domingo, 24 de setembro de 2017

Van Gogh Alive em imagens










Esta exposição (bem catita, por sinal) estará patente na Cordoaria Nacional até 22 de outubro. Ide e aproveitai!

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Atchim, ranhoca e um polvo

Se há atividade que considero incompatível com a boa convivência em transportes públicos é o ataque de espirros. Este fenómeno com origem no Paleolítico, altura em que os nossos antepassados roçavam bastante seus focinhos nas paredes cheias de musgo das cavernas mal arejadas, perturba, incomoda e, no limite, prega valentes cagaços aos demais.

Esta vossa Serva até nem é muito propensa aos ditos, daí que não saiba bem como lidar com eles, sobretudo dada a preocupação de manter uma postura discreta nas viagens fluviais. Ora, se há coisa que não é discreta é um valente ataque de espirros. Até porque a pessoa não vai para nova e não convém fazer aquele número do apertar o nariz para eles não saírem, não vão os bandidos resolver arranjar problemas mais a Sul. Bom, adiante: fui acometida de semelhante achaque espirral que houve gente que achou que um passageiro tinha levado um caniche histérico na viagem. Foram 23-espirros-vinte e três, acompanhados de espasmos involuntários, que tentei em vão conter, mas que o ato de contenção tornou o evento numa espécie de dança de um polvo com epilepsia. Toda eu era tentáculos escorregadios. Apertava de um lado, o espasmo fugia-se-me por outro. Agora pergunto eu: o que devemos controlar primordialmente? O som ou o espasmo? Será melhor um esguicho de ranhoca pelo nariz ou um jato de cuspo pela boca? Decisões, decisões. Deixei-me ir, então, concentrando-me em contar os ditos para depois fazer pirraça a Paizinho, campeão ibérico desta modalidade, que une aos 300 espirros à hora uma berraria capaz de fazer levantar um defunto com 50 anos de tumba. 

Aguentei estoicamente os olhares dos compinchas de barco, posso jurar que vi alguns a tentarem não se rir, terei sentido alguma reprovação quando não consegui controlar um "dasse, car&$%o mais os espirros filhos da..." que soltei (embora baixinho!), e assim se passou um momento agradável. Pelo sim, pelo não, nos próximos dias será melhor apanhar o barco meia hora mais tarde, não vão as pessoas lembrar-se aqui do polvo-caniche.

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Borregos, sexo e Transtejo, uma carta aberta a quem de direito

Caros responsáveis pelo transporte por vias navegáveis interiores do Montijo para o Cais do Sodré e de novo para o Montijo,

venho por este meio começar por vos agradecer pelas horas de contemplação fluvial ao longo destes 15 anos. Ora, fazendo nós parte de um país à beira-mar plantado, congratulo-me pelo facto de, num exemplo ímpar de respeito pela alma lusa, terem percebido que muitos dos que para Olissipo viajam pouca comunhão com o rio possuem, em claro desrespeito pelas raízes e cultura da cidade. E foi por esse amor ao Tejo e numa tentativa de nos unir a esse elemento fulcral da história da capital e do país que chamaram a vós a nobre empreitada de nos fazer, a nós utentes, encetar num bonito e prolongado exercício quase-constante de contemplação do rio. 

Achásteis vós, portanto, que o mui nobre povo do eixo Montijo/Alcochete-sem-esquecer-o-Samouco seria o representante indicado para este projeto à escala regional. É sabido que são gentes que, ao se prestarem a atravessar o bravo Tejo numa base diária, estariam com certeza dispostos a assumir tão importante desígnio de se tornarem unos com o rio, abraçá-lo em seu esplendor, amá-lo como ele merece.

Caras pessoas da Transtejo, eu ontem cheguei ao cais de embarque às 8h15 e o barco só partiu às 9h38. Mais um dia de avaria na trampa do catamarã. Mais um dia em que chego ao trabalho mais de uma hora atrasada por vossa culpa. Mais uma camada de nervos que não há afaganço de meigos gatos peludos que apazigüe. A isto eu digo "Basta!", não mais quero apreciar o rio durante horas, não mais quero ir ensalsichada (ou "ensalchichada" como a maioria das pessoas diria, para meu gáudio) com outras centenas de pessoas em desespero, não mais quero fazer parte deste vosso projeto de amor ao rio Tejo. Sabeis que mais? Antes prefiro fazer o amor físico com um borrego sujo. Preferiria, com toda a sinceridade, uma suruba com ásperos e mal lavados borregos. E de caminho até os iria lavar às águas que vocês insistem em me impingir. 

Estimo bem, portanto, que sejais todos acometidos de uma desinteria fulminante que vos faça cagar à pistola todos os dias em que houver peripécias como a de ontem, em que inclusivamente o barco não partiu apenas porque havia 6-pessoas-seis a mais, de pé. (Sendo que o Mestre tem 230 quilos, o que, pelas minhas contas, ocupa três ou quatro lugares de passageiros.) Em suma, ide-vos, todos, com o respeito que me merecem, fecundar. Se precisardes, os borregos são por minha conta.

Com os melhores cumprimentos,
Boneca Maria de Deus.

Eu tenho dois amores, mas um já não quer saber de mim - crónica do regresso às aulas

Quis o destino (e os meus ciclos menstruais, na realidade) que Máinovo tenha entrado no primeiro ciclo e Máivelho no terceiro. Fica a minha reflexão sobre o assunto, numa crónica para a Visão online que escrevi de lágrima sempre no canto do olho, comó Bonga. Aqui.

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Na pediatra

Na consulta de rotina, onde agora já só vão uma vez por ano, levo uma grafonola (Máinovo) e um mudo (Máivelho). Desconfio que a médica tenha tido de tomar uma Aspirina depois de termos saído, derivado da verborreia do bicho de 6 anos, a quem praticamente não teve de fazer perguntas, uma vez que desbobinou toda a história de sua vida. 

Para a posteridade ficam algumas pérolas entre ele e a médica:
- Não estás ansioso por entrar para o primeiro ano?
(encolhe os braços)
- Olha que aprender é muito importante!
- Importante eu sei que é, só não sei é se é divertido!

- E digam-me cá, comem sopa e fruta?
- Sim, a avó e a mãe obrigam, mas é fruta e vegetais da horta da minha avó lá da Carrasqueira! Ainda agora comi pêssegos com vitamina na casca! A mãe obrigou-me a comer o pelo e tudo!

- Tanta conversa, tanta conversa, mas afinal quando é que começa a consulta?
- Isto já faz parte da consulta. 
- Mas afinal quando é que eu vou despir-me e mostrar a pila?
- Mas queres mostrar?
- Eu não, a mãe é que me mandou lavar a pila porque tu ias querer vê-la. Olha, cheira aqui, lavei com o sabão dela de tangerina, cheira mesmo bem!

- Ele está alto, mede 120 cm.
- YESSSSSSSS!!!!!!!!! EU SABIA!!!!!! 
(aos gritos, seguido de todo o género de dabs, como abaixo ilustrado)




Aliás, dabs esses que fazia de cinco em cinco segundos aproximadamente, prejudicando a consulta no geral e a avaliação no particular. O que vale é que agora só para o ano.

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Eu atraio maluquinhos #25

No seguimento da história já vivida com esta senhora, narrada neste post, venho congratular-me por ela se ter cruzado novamente no meu caminho, permitindo-me fazer uma espécie de Suporte Básico de Vida a uma rubrica que já considerava um tanto ou quanto moribunda. Das duas uma, ou eu gastei o stock de maluquinhos do eixo Baixa-Chiado/S. Francisco de Alcochete, passando pelo Samouco e fazendo uma revienga no Montijo, ou eles são tímidos e fogem quando me vêem, com cagunfa de aqui serem imortalizados.

Assim sendo, pelos vistos vou reciclar um maluquinho. No caso em apreço, uma chalupona que se volta a cruzar comigo e ensaia novamente um daqueles olhares penetrantes, bem incomodativos, enquanto esperamos para sair do barco. Mas de tal forma é insistente que percebo que até uma outra companheira de barco nota que ela está especada a olhar para alguém e decide ver para onde. Mas desta vez já não me apanhou desprevenida! Sabendo do que a casa gasta e, numa atitude extremamente adulta e madura, decidi coçar minha face com um belo e luzidio pirete, bem do alto do meu dedo do meio, extremamente bem manicurado e com umas cutículas impecavelmente hidratadas com óleo de cheiro a morango do Ribatejo. Ora isto afigurou-se um dilema para a chalupeta fluvial: se mostrasse indignação, desviando consequentemente o seu olhar de boga, reconheceria que estava especada a olhar para mim; se continuasse a olhar teria de enfrentar um pirete que neste momento serpenteava por minha bochecha espetacularmente maquilhada com um blushzinho de tom pêssego das Beiras, ora apontando para ela, ora abanando a caudinha qual Teijo depois de ter estado em cima do Sinupe. 

Modéstia à parte, efetuo um belíssimo pirete: devido a uma condição de que padeço, intitulada "hipermobilidade articular", consigo - entre outras façanhas dignas de Cirque du Soleil - dobrar apenas as cabeças dos dedos, mantendo o resto do dedo firme e hirto que nem uma barra de ferro. Ora imaginai a categoria de bonequinho soviético que eu perpetro com este dedo meio mongo. É o número um dos piretes, o pirete máilindo da Margem Sul. É um piretezão!!! Pirezetão esse que Sôdona Maluquinha teve de gramar a dançar, chocalhar e acenar durante uns bons 48 segundos. Ilustro esta afirmação com o próprio, em todo o seu esplendor:


Se depois disto a estaferma voltar a ficar pasmada, terei de recorrer a medidas mais drásticas. Mas essa tática só poderá ser levada a cabo num dia em que tenha ingerido uma feijoada. 

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

14 anos com ele

Eu sei que tenho andado muito arredada daqui, mas não vos consigo transmitir quão cansada ando. Acho que nunca tive um verão com tanto trabalho, e obviamente é o pardieiro que se ressente. Mas hoje faço anos de casada e não poderia deixar de vir assinalar a efeméride, como tenho feito tooooodos os anos, em que deixo alguns truques de sucesso de uma relação. 

No ano passado, se bem se lembram, foi a questão do frango. Este ano são as conversas de telefone. Quem consegue aturar isto, vai chegar às Bodas de Ouro, de certezinha:

. Marido liga à sua querida esposa;
. Querida esposa atende;
. Marido diz "espera aí que agora não posso falar" e desliga;
. Esposa, em vez de pensar "caganda urso", desliga e continua na sua vidinha;
. Marido volta a ligar e desta vez diz "só um segundo" e fala com pessoas do outro lado;
. Esposa espera pacientemente;
. Marido volta e diz "agora já posso falar contigo, diz lá";
. Esposa diz "foste tu que me ligaste...";
. Marido diz "ah pois fui."
. Enceta-se uma conversação sobre cenas mundanas.

Dasse, nem quero imaginar quando formos velhos e chechés.

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Um dois três, canta lá isso outra vez #8

Leitores queridos, tenho uma confissão a fazer-vos. Trata-se de uma coisa que me envergonha particularmente, exceto em casamentos e a ocasional festa de aniversário. É que eu gosto muito de música latina. Acomete-se-me ao ouvi-la uma espécie de espasmos aqui ao nível das ancas, e não mais consigo parar. Venham os Despacitos, venham os Enriques, os Rickies desta vida, que os recebo abanicando o bufunfo até desconjuntar um osso (cheira-me que já estive mais longe de dar um jeito nas cruzes durante uma fúria latina que me fico para aqui entrevadinha). Uma artista de que gosto particularmente tem voz de ovelha com o cio e está casada com um futebolista por quem eu tenho sexy hot, o que faz com que tenha uma relação de amor-ódio com ela. Já tendes percebido que falo de Shakira Isabel (😂), mulher portadora de umas ancas biónicas, que ela consegue retirar enquanto elas continuam a chocalhar que nem loucas, causando o caos à sua passagem. Dava os mindinhos dos pés (assim como assim praticamente não existem) para ter aquele jogo de cintura. Mas adiante. A rapariga dedicou uma música ao seu Piqué, e eu acho-lhe piada, embora seja um bocado foleiramente fofinha e lamechas
Ora então bora lá verter isto para português, que todómundo sabe que TUDO soa melhor na língua do escritor zarolho.

Me Enamoré, 
que é como quem diz 
Fiquei caidinha

A vida começou a mudar-me 
Na noite em que te conheci
Tinha pouco a perder
E a coisa prosseguiu nessa conformidade 

Tinha um soutiã às riscas
E o cabelo meio coiso
Pensei: catano, ainda é um chavalo 
Mas olha, que s'a lixe

Era o que eu andava à procura 
O que o doutor me recomentou
Achei que estava a sonhar, ó-u-oh
Do que me andava a queixar?
Não sei no que estava a pensar
Estou toda excitadona ó-u-oh ó-u-oh

Fiquei caidinha, fiquei caca-idinha 
Vi-o sozinho e pimbas
Apaixonei-me a-papa-ixonei-me 

Olha que coisa máilinda
Que boca máiredondinha
Gosto dessa barbinha 

E dancei até me cansar
Até me cansar dancei
E fiquei caidinha
Cacaidinhos

Um mojito, dois mojitos
Olha que olhos máilindos
Assim-comássim fico mais um bocadito 

Contigo tinha 10 filhos
Comecemos por um par deles
Só te estou a informar
Caso queiras praticar (🐖)

Só te digo, oh gostoso
Vamo-nos conhecendo e tal 
É isso que te proponho, ó-u-oh 
Vamo-nos entusiasmando 
Tudo nos vai correr pelo melhor 
Coisa máifixe!

Fiquei pelo beicinho 
Pelo beibei-cinho
Apanhei-o largado e fui-me a ele
E olha, vai-se a ver e eu é que me apaixonei

Olha que gajo máigostoso, pá 
Mamava-lhe daquela boca toda
Puxava-lhe os pelos da barba até ele guinchar 

E por aí em diante que isto já está a descambar, Shakira Isabel é uma porcalhona e às tantas até se transforma numa daquelas malucas, afirmando "Este é para mim, não é para mais ninguém!" A sacana da colombiana nunca me enganou!

Deixo-vos com o vídeo, em que obviamente aparece o Piquézinho de sua Boneca, ande cá que eu não lhe arranco a barba comáoutra louca. Atenção, aviso já que esta música é imprópria para pessoas com prótese na anca. Por isso, Paizinho, continua lá a dançar Santana ou lá o que é que tu gostas e deixa-te de maluqueiras.