terça-feira, 21 de março de 2017

Viscosidade, nhecas, ciência em família e um passatempo

A Science4You teve a amabilidade de me enviar uns presentes para a canalhada cá de casa. E, segundo a velha máxima de "quem meus filhos beija, minha boca adoça", quem trata bem pequenos Moglis do agregado é amiguinho. Mal sabiam eles que em tempos frequentei um workshop sobre empreendedorismo em que um dos participantes era precisamente um representante da Science4You e fiquei bastante agradada com a génese desta empresa de brinquedos que, caso não saibam (eu não sabia), é 100% portuguesa.

Ao perceber o que dizia a caixa, "Ciência Viscosa", Máinovo ficou entusiasmadíssimo ante a perspetiva de espalhar nheca por toda a casa. Felizmente, Máivelho tomou as rédeas do assunto, em primeiro lugar porque achei que largar o mini-selvagem com alginato de sódio e corante alimentar seria receita para andar a esfregar o chão, as paredes e os gatos nas próximas duas semanas e também porque, segundo o pequeno, as luvas que vinham no kit cheiravam a puns de doninha. Quase houve pugilato pelos óculos de cientista maluco, mas a coisa acalmou quando se combinou que Máinovo ficaria no papel de observador/árbitro/banda sonora da experiência.

Optámos por começar pelos pega-monstros (à minha insistência, por fazerem parte do meu imaginário) e, em suma, a coisa até correu bem (embora Máinovo tenha ficado convencido que fizeram macacos do nariz). Máivelho ficou sobretudo fascinado com a utilização de corante vermelho, que o fez parecer - e cito - "um serial killer cirurgião, cheio de sangue, bueda fixe".

O kit do Professor Pardal.
O ar de Máinovo: "queria fazer isso, mas não sei ler".
Fazendo macacos do na... perdão, pega-monstros verdes.
Lá lhe demos confiança para botar os óculos e cantar uma musiquinha.
Anatomia de Grey de Alcochete
TCHARÃAAAAAA!
Criei algo perigosamente parecido com ovas de peixe,
o que para quem ama sushi é uma tortura.

Para terminar, devo dizer-vos que tenho também um brinquedo para oferecer à vossa miudagem, ou a um de vós (eu era menina para me atirar a isto, mas não tenho vagar, fiquei-me pelas ovas de sushi): a Ciência dos Perfumes! E o que têm então de fazer? Ora, um like na página de Facebook da Science4You, outro na página aqui do pardieiro (obviamente, tenho a certeza que já têm like, se não, cheiram a puns de doninha) e uma quadra que inclua as palavras filhos, pega-monstros e ciência. Bora lá, têm até ao final do mês, fico a aguardar. Espero que este passatempo seja tão concorrido quanto quando foi para ganharem a lata onde eu punha um post-it de cada vez que dizia uma asneira! 

Oh o prémio! (Haverá por aí a Ciência do Barbeiro?
É que parece que o cabelo de Máivelho foi cortado à pedrada.)

quinta-feira, 16 de março de 2017

Mãe sofre #109

No momento de mimo antes de dormir, em conversa com Máinovo:
- Vá, dorme, que é durante a noite que as crianças crescem e ficam fortes.
- Ai é? Foi o Presidente que decidiu isso, ou só calhou?

terça-feira, 14 de março de 2017

Viagem ao mundo dos transportes públicos

Senhores, é numa espécie de exercício de catarse que decidi dividir por categorias os meus compinchas de viagens em transportes públicos. Só quem os frequenta é que sabe o que lá se passa: uma realidade paralela em que só sobrevive o mais forte, leia-se, com melhores tímpanos, com mais problemas no âmbito do olfato e com nervos de aço. Ora ide aqui à minha crónica da Visão online desta semana e leide. Lede. Lady.

Dores. Tenho muitas. Assim tantas

Começarei este texto com um mantra, que repetirei até me passarem as dores que só não possuo nas pestanas: "Não mais estarás dois meses sem treinar. Não mais estarás dois meses sem treinar. Não mais estarás dois meses sem treinar, minha grandíssima texuga."

Como já devem ter percebido, estive, mais dia menos dia, dois meses sem botar os cascos no ginásio, por razões várias, entre as quais muito trabalho e uma tremenda camada de preguiça. Preguiça daquela que não me dá no âmbito das mandíbulas, porque, valha-me Deus, se eu comi. Enfardei. Agarrei em queijinhos de ovo da Alcôa, que agora abriu no Chiado, e esfreguei na cara e nos cabelos e nos olhos. O. K., não fiz isso, mas foi só mesmo o que faltou. 

Resultado: o regresso ao ginásio deu-se da forma mais dolorosa que se possa imaginar. Juntei-me a outra lontra (esta ainda uma lontra baby, sem a minha experiência) e lá fomos as duas alegremente fazer uma aula de Body Pump para desenferrujar. 

Acontece que há um santo padroeiro dos desportistas de ginásio: é o São Prudêncio Tibúrcio (como percebem, é a origem da sigla PT), que protege quem treina, mas solta a sua ira contra quem está mais do que quatro dias sem agachar. Vai daí, este santo, lá em cima a ver quantas séries de leg presses a malta aguenta, bate com os olhos nestas duas palhaças, todas contentes, tralala, bora lá fazer uma aulita. Com um raio de poder divino resolve então fazer-lhes a vida negra e transformar-lhes os pesos de 2,5 kg em 3 toneladas. Elas, inocentes, e para não dar parte de fracas perante o resto da turma, resolveram não adaptar o peso à sua condição de quase acamadas, dando uma de valentes, oh para nós que ainda ontem a fingir que lhe demos forte e feio nos burpees e hoje já estamos aqui confiançudas a treinar costas com 6 kg de cada lado da barra. Acontece que, lá de cima, S. PT topa tudo e maltratou as miúdas. A miúda e uma quarentona, pronto. 

Resultado: há quem hoje não se consiga mexer. Há quem tenha lavado a cabeça baixando-a até ao nível dos braços por não conseguir levantá-los. Há quem, na verdade, não esteja assim tão bem lavada. Há quem lhe doa ao respirar. E ao sentar. Há quem tenha começado o dia a trocar mensagens com uma companheira de desgraça cujo conteúdo apenas versava assim:

Apaguei a asneira, por respeito a Mãezinha.

segunda-feira, 6 de março de 2017

Mãe sofre #108

Gritaria nos quartos, não se percebe bem quem grita, se Máinovo, se Máivelho, se ambos simultaneamente e ao mesmo tempo, tudo ao molho. Senhor meu Marido, já com os nervos em franja, vai às escadas e diz-lhes:
- Se eu for aí acima vou bater em alguém!
Máivelho responde:
- Pode ser na mãe?

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Atão? Ainda posso falar do Cinquenta Sombras?

Meus caros, num verdadeiro exercício de contra-informação, venho por este meio, e com o mau feitio que me é característico, contrariar-vos.Tudo a pensar nos Óscares e eu, pimbas, Cinquenta Sombras Mais Escuras ou lá como se chama o segundo filme da saga Grey, que merecia a nomeação de melhor incentivo à trungalhunguice para pessoas que não têm acesso à Internet, nem TV, nem Netflix, nem mesmo a uma telefonia daquelas a pilhas.

Começo por vos deixar o link para as minhas impressões do primeiro filme, para comprovar como as coisas mudaram dois anos depois: peguem. Depois, uma palavra de lamento pelo atraso da recensão, mas, obviamente, tive de esperar pelas férias dos putos para conseguir ir sozinha com Senhor meu Marido ao cinema. Então, cá vai o que retive:

- Pelo menos este ano pouparam os espetadores aos anúncios semi-porno antes do filme, o que foi uma vitória. Coisinhas normais, como carros, crédito a taxas supimpas e um anúncio da Nos que, se não tivesse o meu querido Nuno Lopes como protagonista, me teria feito arrancar os cabelos da pessoa da frente por ter durado uns 10 minutos;
- Pessoa da frente essa já com os seus 80 anos bem tirados, ladeada pelo que parecia a filha e a neta. E aqui começou a vergonha alheia. Senhores, é o que de mais parecido há em ver pornografia com a avó, pá. Menos! Dei por mim a postos para lhe fazer uma manobra de Heimlich, seguida de 30 compressões e 2 insuflações, jogando-a depois em PLS caso desse uma camueca à velha ante as cenas quase explícitas de amor em oralidade de esforços (se é que me entendem, vamos ver de quantos eufemismos eu serei capaz para não dizer aquela palavra que acho bem feiosa que rima com pirete);
- Já não vamos para novos, e novas preocupações nos surgem ao vislumbrar o moço a esfregá-la com óleo e esparramá-la na cama: é que aquelas nódoas são do camandro para tirar dos lençóis, qual será o produto utilizado, pergunto eu? 
- Outra prova que a idade nos está a afetar: estivemos mais na galhofa do que sossegados a ver o filme. Aliás, aquilo pareceu-me tão pouco sensual que dei por mim a fazer piadas parvas e a rirmos que nem perdidos, como na parte em que ele a manda tirar as cuecas quando estão à mesa de um restaurante: "Olha, assim com um vestido também eu, queria vê-la a fazer aquilo com calças de ganga, pá!" 
- Durante o pedido de casamento, terei alegadamente soltado um "estás a ver como se faz, oh palhaço?" para meu marido, que não prima propriamente pelo romantismo;
- De notar o upgrade não só ao cuecame da protagonista, que passou dos sacos de pão para algo mais compostinho e visualmente menos agressivo, como também à depilação, já sem tufos à vista (terá havido reclamações?);
- Igualmente o upgrade à natureza explícita da coisa: muito contacto quase in your face (HA! Que bela piadola!) de chavascal oral mas na vertente ele-para-ela, porque admito que seria talvez demasiado "pra frentex" uma sinfonia de trombone em dó maior e lá se me ia a velha da fila da frente, que não havia Suporte Básico de Vida que lhe valesse;
- De resto, um bela banda sonora, que não consegui apreciar devidamente derivado da minha própria chinfrineira pipocal: é que OH MEUS AMIGOS!!! Atão ninguém me avisou nestes 40 anos de vida que havia esse manjar dos deuses que são as PIPOCAS MISTAS??!! Foi preciso vir a minha amiga yAna e apresentar às minhas papilas gustativas todo um novo mundo de prazer?! Pois fiquem sabendo, os gemidos e chiadeira que se ouviam no Fórum Montijo não eram do filme, mas das minhas glândulas salivares!
- No final da noite, o filme sempre serviu para apimentar as coisas lá por casa: vesti a minha melhor lingerie, aproximei-me com ar lânguido de meu cônjuge e sussurrei-lhe ao ouvido "Gostoso, vamos replicar aquela cena que o Grey fez à Anastasia?" E ele, já doidão, pergunta-me "Qual?", e eu, a não aguentar de antecipação, respondi, já ofegante, "Aquela em que ele lhe transfere 24 000 euros para a conta!" 

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Carta aberta a um conjunto aleatório de matrafonas

Caro conjunto aleatório de matrafonas,
Bem sei que está a chegar a vossa altura preferida do ano, aquela que me dá vontade de i) varrer todómundo à catanada e/ou ii) me enrolar em posição de caju debaixo de um edredão e esperar que passe. 

Bem sei que vocês ansiaram todo o ano pelo momento em que vão poder espremer-se para dentro de umas leggings tigresse dois números abaixo do vosso, sob o pretexto de estarem mascaradas de rececionista de casa de alterne e ser Carnaval e ninguém levar a mal. Acontece que toda a gente leva a mal, apenas não tiveram coragem de, tal como eu estou agora, tentar chamar-vos à razão por meio do insulto e do enxovalho. 

Toda a gente já percebeu que, dada a roupa que envergam nos restantes dias do ano, no fundo, vocês gostariam de andar nessa figura sempre. 

Toda a gente já percebeu que, criadas as condições, grupo aleatório de matrafonas, vocês soltam a Katiuska Krystal que há dentro de vocês. 

Por isso, deixo o meu apelo: larguem de ser palermas e visualmente desagradáveis.  

Para não dizerem que tenho mau feitio e que só sei criticar e que já me viram inúmeras vezes envergando o padrão do demo, deixo algumas atividades que poderão realizar fazendo uso das leggings que vos fazem parecer salpicões de Lamego com 15 dias de montra, agredindo os olhos dos mais incautos até estes sangrarem:
1 - Usar as ditas leggings para, de facto, realmente, fazer chouriças, que terá sido o propósito que o senhor Deus pensou originalmente para elas, quando as criou, imediatamente antes das tripas enfarinhadas e logo após os farinhotes da Guarda (#muitafortenageografiadosenchidos);
2 - Pendurar-lhes um guizo na ponta e brincar com os gatos;
3 - Usar como pano para limpar os vidros, que diz que o poliéster, por não largar pelo, limpa que é uma beleza;
4 - Usar para tapar aquele buraco incomodativo da casa de banho por onde saem as traças;
5 - Enrolá-las à volta de um tomate congelado e arremessá-las à tola do cão do vizinho que ladra a noite inteira;
6 - Se fizerem mesmo questão de as usar no Carnaval, fazer-lhes buracos para os olhos, nariz e boca, enfiá-las na cabeça e ir de oncinha para a rua.

De nada, depois não digam que não tento ser inclusiva e tal.