quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Carta aberta a um conjunto aleatório de matrafonas

Caro conjunto aleatório de matrafonas,
Bem sei que está a chegar a vossa altura preferida do ano, aquela que me dá vontade de i) varrer todómundo à catanada e/ou ii) me enrolar em posição de caju debaixo de um edredão e esperar que passe. 

Bem sei que vocês ansiaram todo o ano pelo momento em que vão poder espremer-se para dentro de umas leggings tigresse dois números abaixo do vosso, sob o pretexto de estarem mascaradas de rececionista de casa de alterne e ser Carnaval e ninguém levar a mal. Acontece que toda a gente leva a mal, apenas não tiveram coragem de, tal como eu estou agora, tentar chamar-vos à razão por meio do insulto e do enxovalho. 

Toda a gente já percebeu que, dada a roupa que envergam nos restantes dias do ano, no fundo, vocês gostariam de andar nessa figura sempre. 

Toda a gente já percebeu que, criadas as condições, grupo aleatório de matrafonas, vocês soltam a Katiuska Krystal que há dentro de vocês. 

Por isso, deixo o meu apelo: larguem de ser palermas e visualmente desagradáveis.  

Para não dizerem que tenho mau feitio e que só sei criticar e que já me viram inúmeras vezes envergando o padrão do demo, deixo algumas atividades que poderão realizar fazendo uso das leggings que vos fazem parecer salpicões de Lamego com 15 dias de montra, agredindo os olhos dos mais incautos até estes sangrarem:
1 - Usar as ditas leggings para, de facto, realmente, fazer chouriças, que terá sido o propósito que o senhor Deus pensou originalmente para elas, quando as criou, imediatamente antes das tripas enfarinhadas e logo após os farinhotes da Guarda (#muitafortenageografiadosenchidos);
2 - Pendurar-lhes um guizo na ponta e brincar com os gatos;
3 - Usar como pano para limpar os vidros, que diz que o poliéster, por não largar pelo, limpa que é uma beleza;
4 - Usar para tapar aquele buraco incomodativo da casa de banho por onde saem as traças;
5 - Enrolá-las à volta de um tomate congelado e arremessá-las à tola do cão do vizinho que ladra a noite inteira;
6 - Se fizerem mesmo questão de as usar no Carnaval, fazer-lhes buracos para os olhos, nariz e boca, enfiá-las na cabeça e ir de oncinha para a rua.

De nada, depois não digam que não tento ser inclusiva e tal.


quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Mãe sofre #107

Contexto: Máivelho passa a vida a azucrinar Máinovo, inclusivamente arreando-lhe a ocasional galheta e deixando-o marcado de nódoas negras.

Eu, já agastada - Tu às vezes bem que merecias que o teu irmão te desse um pontapé nas canelas!
Máinovo, percebendo o apoio - Tu merecias era que eu te desse um pontapé nos tomates!
Eu, contendo o riso, mas parecendo zangada - Onde é que tu ouviste isso?!
Máinovo, com o ar mais sonso do mundo - O meu amigo Salvador é que costuma dizer.
Eu, tentando ser pedagógica - E sabes onde é isso?
Máinovo, com ar blasé, aponta para o seu ombro esquerdo - É aqui.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Este post é herege

Como brincar ao Jesus Cristo em 5 passos:
1 - Ser-se acometida por uma valente comichão no âmbito da zona supra-labial e infra-testal;
2 - Estar-se belissimamente maquilhada, com tudo a que se tem direito, não faltando um iluminador bem catita e douradinho;
3 - Dar-se um espirro daqueles que, não estivessem os músculos do soalho pélvico bem trabalhados, com certeza acarretariam uma urgente necessidade de trocar de roupa interior;
4 - Amparar o dito com um braço, como mandam as regras da Direção-Geral de Saúde na pessoa do Dr. Francisco George, em particular, e do bom-senso, em geral;
5 - Esse braço possuir, por estarmos, realmente, em fevereiro, um casaco.

Em verdade vos digo: o Jesus coraria de vergonha ante a nitidez com que a impressão de minha fronha ficou em minha manga, onde se discerniam perfeitamente as bochechinhas, os labiozinhos e até as pestaninhas. Qual Santo Sudário, qual caraças, que nem se percebia bem que cara é que lá estava escarrapachada.

domingo, 19 de fevereiro de 2017

Francamente não sei a quem ele sairá com esta imaginação fértil

Há uma música absolutamente pavorosa que Senhor meu Marido canta com um entusiasmo que me tira do sério, mas que tenho de relevar, uma vez que é utilizada nessa bela modalidade que ele ensina que se chama 3B, ou Bum Bum Brasil (eu sei, eu sei, mas "na alegria e na tristeza, na saúde e na doença"). Ora a música - que se chama "Bunda" e é desse magnífico cantautor de seu nome Putzgrilla (*faz o sinal da cruz e borrifa-se com água benta*) - versa assim:

"Agora desce 
rebola 
sente o funk
de dentro da carola"

Quiçá porque também acha a música, digamos, estúpida, Máinovo canta-a com o filtro dos seus 5 anos bem tirados:

"Agora o Messi
Dybala 
é o Ronaldo
que marca de carola"

Vão por mim, este puto vai longe no mundo futebolístico. 

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Diz-me quem és, que eu logo vejo como falo contigo

Caríssimos, a minha crónica desta semana na VISÃO online versa sobre uma condição de que padeço e que dá pelo nome de "capacidade extraordinária de adaptação sonsa e ocasionalmente contrariada ou mesmo interesseira do discurso ao interlocutor". Tenho a certeza que há muitos de vós daí desse lado que padecem do mesmo e fazem o designado mutatis mutandis à bruta. Quem nunca, hein? Ora ide lá aqui, a este link amoroso, com umas cores giríssimas, assim em degradé luminoso com subtons de ipsis verbis.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

De pernas escancaradas

De volta aos grandes temas da atualidade, meus amigos, como é meu apanágio. Àqueles que nos fazem pôr a mão na consciência, refletir sobre a nossa própria existência e uma outra frase que também acabe em "ência". Este tema fala-me ao coração, porque possuo um camionista dentro de mim (e, já o disse, está alojado ao nível das ancas), que gostaria de sair de quando em vez na hora de coçar variadas comichões em público e sem pudor, de arrotar após beber uma Coca-Cola Zero de penalti (a quantidade de camionistas que bebe Coca-Cola Zero... upa, upa), e - mais importante e fraturante e elefante (aguentem, hoje estou virada para a métrica em rima) - de se sentar badalhocamente.

E em que consiste isso de nos sentarmos badalhocamente, perguntam vocês, já ansiosos ante a perspectiva de saberem o que é sentar-se badalhocamente para depois procederem ao ato de se sentarem badalhocamente daqui para a frente, minha gente intermitente?

É como todos os homens fazem, porra! Os sortudos! Mulheres, parem lá um bocado de limar as unhas e observem os homens à vossa volta. Acaso não estão eles sentados como se no lugar dos tintins tivessem duas comadres que não se falam há anos derivado de uma delas num Natal ter dito que o marido da outra era um bocado matarruano e vai daí a relação nunca mais foi a mesma, ainda que entretanto já tenham enviuvado as duas? Parece, pois parece? Tenho para mim que há mulheres que a parir abrem menos as pernas. Que precisem de refrigerar o tomatal, tudo bem. Agora, caramba, já vi espargatas mais fechadinhas.

Outro exercício: ponham uma mulher no mesmo sítio, na mesma posição. Pois, é uma porca ordinária e está badalhocamente sentada. 

NÃO


DIREITO

PONTO.

E é assim que eu, abaixo-assinada, indignada e peixe-espada, venho por este meio apresentar às mais altas instâncias a seguinte petição:

Juntas pelo direito de sentar badalhocamente
Juntas pelo direito de as pernas escancarar
A minha tia que mora no segundo frente 
As suas partes baixas também gostaria de arejar!

Quem está comigo? E me oferece um ombro amigo? E me limpa o cotão do umbigo?

Unidas venceremos. Agora vou ali deitar-me um pouco, que me está a parecer que comi maionese estragada. 

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Dia de S. Valentim ou algumas considerações sobre a borrasca

O que interessa mesmo-mesmo frisar neste Dia de S. Valentim é o forrobodó que aconteceu em minha habitação, mais propriamente naquele portento de divisão com 30 m2 que é o meu quarto.

Como acho que já sabeis, o meu leito de amor situa-se numa espécie de sótão, e possui duas janelas cuja designação técnica é "daquelas de ladecos" que, ao mínimo vislumbre de chuva, nos fazem sentir os gauleses com medo que o céu nos caia em cima da cabeça. Qualquer aguaceiro é exponencialmente aumentado, qualquer chuvinha parece o dilúvio.


Serve este intróito para contextualizar o facto de, às 4 da manhã, ter chovido uma carga de granizo que mais parecia que Pauliteiros de Miranda de 3 gerações se tinham juntado com os Toca Rufar para um Best Of, não sem antes terem todos chutado ácidos para a veia. Ah, e o recinto era um aquário redondo daqueles que aglomera bem o som em Dolby Surround. No centro do espetáculo - relembro, às 4 da manhã - estava eu, Senhor meu Marido (a recuperar de uma gastroenterite que assolou todos os membros masculinos do agregado e do agregado dos meus pais, #asmulheressãobuérijas #inchemmariconços), e dois gatos bebés absolutamente em pânico por estarem no meio do que seguramente lhes pareceu a máquina de lavar roupa em centrifugação velocidade Mach 3. Rapidamente nos esquecemos do sono e do facto de Máivelho estar preocupado com a possibilidade de um calhau lhe partir a janela e nos concentrámos em tentar acalmar a bicheza felina, completamente eriçada e tresloucada de medo, a tentar enfiar-se debaixo dos nossos cobertores, só espreitando de vez em quando a ver se o Apocalipse já tinha passado. 


A doideira durou quase uma hora, entre tambores, pandeiretas, paus, calhaus e outros instrumentos do demo que S. Pedro decidiu furiosamente chocalhar por cima de S. Francisco de Alcochete. Quando parou, duas crianças dormiam e dois gatos estavam prontos para um novo dia de correria, brincadeira e patadas na cabeça de duas pessoas que apenas gostariam de proceder ao seu constitucionalmente consagrado direito ao sono. A rebaldaria continuou, portanto, no quarto, com gatos em speed a fazer sprints, a puxar fios de candeeiros no geral e a agredir-se mutuamente no particular.


Quando o despertador (rádio) tocou às 7 e um moço com voz feliz desejou "FELIZ DIA DOS NAMORADOS", o calorzinho que senti subir por mim acima não foi amor, não. 


Por tudo isto, é bom que hoje em alguma altura se materializem à minha frente ou Maltesers, ou umas fatias de picanha mal passada, ou aqueles brincos da Swarovski que ando a namorar, senão não respondo por mim. 

domingo, 12 de fevereiro de 2017

Máinovo, já aprendias a falar.

Avós, no carro, falam num tom mais exaltado sobre cenas variadas. Às tantas, estão bastante irritados na conversa. Máinovo, lá atrás, ouve a conversa e admoesta-os:
"- Velotes, não discotem!"