segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Beijo na bochecha ou mero encostanço de face?

Hoje traz-me até vós uma temática que me preocupa e, arriscaria dizer, aporrinha valentemente. E o que te aporrinha valentemente, perguntam vocês, já de lágrima no olho, por antecipar uma valente aporrinhação? O que me aporrinha, de facto, valentemente é a dicotomia presente nas relações sociais "arrefinfar um beijo vs. meramente encostar a bochecha" aquando de um cumprimento. Esta é uma problemática ausente das sociedades germânicas, onde apenas se trocam frios e fugazes apertos de mão, dos esquimós, onde apenas se esfrega o nariz, ou das comunidades de lamas sul-americanos, onde uma valente escarreta no meio da testa é o meio comum de cumprimento. A não ser que seja a sogra do lama: essa recebe uma lambadona bem assente na tromba. Isto é que é saber viver, c'um catano, estes camelídeos é que a sabem toda.

Esta situação aporrinha-me, portanto, valentemente, porque não sou muito dada a contacto físico com pessoas em geral. É mesmo assim, não gosto cá de beijinho e nhonhonhó, por mim era tudo corrido a escarreta. Ou vá, a um aceno de mão acompanhado de um "tá-se?" e pronto. Não podendo, e fazendo um esforço de convivência com os demais humanos, sou das que encosta a cara num cumprimento. Acontece que nem toda a gente está no meu cumprimento de onda. E é aqui que entra em cena a valente aporrinhação: uma pessoa, num gesto temerário e de abnegação, dá a cara, e é brindada em sua cútis hidratada e magnificamente maquilhada com um chocho não raramente barulhento e com laivos de humidade. 

BLHÉQUE.

Venho, assim, aproveitar este fórum público com uma audiência de 6 pessoas por dia para ministrar um workshop sobre desnojificação de cumprimentos. Na primeira fila estará Senhor meu Marido (que aprenderá - nem que seja à força, porra - que só poderá perpetrar essa atividade do demo para com sua cônjuge amada), todas as avós e tias-avós do planeta (estudos demonstram que quanto mais velho e com mais bigode, mais babosos e ruidosos são os beijos pespegados em bochecha alheia) e demais interessados que queiram ampliar os seus conhecimentos. O Módulo 1 chamar-se-á "Desumidificação de beiças pré-osculação"; o Módulo 2, com a participação especial de um fisioterapeuta, será designado por "Identificação de potenciais contraturas no pescoço responsáveis pelo não oferecimento da cara", e o Módulo 3 terá exemplos práticos com crash test dummies cujas bochechas serão previamente esfregadas com soda cáustica.

Assim, pessoas babadas na zona infra-ocular, unamo-nos. Oferendemos vouchers para participação no workshop supra, protejamos a nossa epiderme das pessoas de boca voraz e hiperativa. Abaixo os beijos nhenhosos na bochecha! Vivam os meros e delicados encostanços de face! Morte aos fascistas!!! (Pronto, vou ver se me acalmo)

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Mãe sofre #106

Máivelho observa-me a teclar furiosamente no computador, e noto que está verdadeiramente atónito com a velocidade a que escrevo. Está em modo de observação há uns bons minutos quando decide abordar-me:

- Tu não estás a escrever mesmo palavras, pois não? Estás só aí a clicar nas teclas ao calhas?

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Gente com valentes pancadonas #24

E cá estamos nós, de volta ao mundo dos maluquinhos das pesquisas trolaró em sede de googlanço, cuja peneira fininha do meu blogue apanha, qual pá de plástico que apanha cocó e chichi de gato em areia aglomerante, ou de como as metáforas estão a bater forte cá dentro. Trocado por miúdos, mais uma supimpona compilação de frases que certas alminhas botaram num motor de busca e as fez vir parar a este antro de justaposições e outros eleutérios.

- bordas de cu: pimbas. Assim logo de chofre, para inaugurar a lista. Ora o que leva uma pessoa a fazer uma busca sobre esta parte específica da anatomia, tão vilmente descurada dos manuais de Estudo do Meio? Talvez uma qualquer maleita, da qual seguramente conseguiu tratar após visita a este blogue clínico-anestésico, pleno de textos com efeito placebo e ocasionalmente ortopédico. Não faço ideia a que post terá ido parar, mas seguramente saiu daqui muito mais esclarecido.
- miaúfa: isto tive eu a ver a pesquisa ali de cima. Assim de repente, posso imaginar que tenha sido a mesma pessoa, numa variante de "quem tem cu, tem medo". Quiçá.
- bonecas goji: reza a lenda que na Idade Média o vodu se fazia com bonecas enchidas com umas bagas de cor avermelhada. Um dia, uma bruxa tropeçou enquanto fazia lá as suas cenas, afocinhou na boneca e provou o enchimento. Terá afirmado "isto deve ser bio" e a partir daí foi o sucesso à escala mundial e a exportação para as lojas Celeiro, onde também há belíssimas tâmaras israelitas, que eu consumo como se a minha vida dependesse disto. Esclarecido? Então vá.
- localidades começadas com al: ai, senhores, que sou mais que vosso GPS. Cá vai: Almugeide, Albuzeigue, Alzoendre, Alcoizandre, Alcagoindre. Hã? Não existem? Pobres e mal-agradecidos, pá.
- mulheres com canalizadores: mas "com" em que sentido? Bíblico, do tipo "anda cá e desentope-me o cano", ou "oh pra esta fuga mesmo boa para tu consertares"? Sem mais info, não posso ajudar, lamento.
- lagartija da relva: este espécime vive nas calhas de garagens de Alcochete, co-habitando em harmonia com as lagartixas da relva, espécie mais evoluída, porque sabe pronunciar o seu próprio nome. Apesar das diferenças de QI, dão-se bem, embora as lagartijas, pelos motivos expostos, tenham um certo sentimento de inferioridade que se traduz em ocuparem a parte mais baixa da calha, levando a que caiam com mais facilidade no chão, pregando sustos de morte a uma certa moça proprietária da garagem, ou sendo vilmente esborrachadas pelas rodas do veículo do cônjuge da dita moça.
- mensagens badalhocas: não vieste propriamente parar ao sítio certo, pessoa, mas se fores ao Facebook daqui do pardieiro, poderás vislumbrar exemplos como este abaixo. Diz lá quem é uma manipuladorazona gostosona, hein?


- wc uso exclusivo de clientes: foste parar a este post, de certezinha.
- como ensultar namorado que pos foto: vou partir do princípio que ensultar significa fazer-lhe uma omolete com pedaços de vidro lá dentro em vez de cebolinho, então esse grandíssimo fdp a pôr assim fotos da menina? Ensulta-o, filha, com aqueles vidros verdes das garrafas mais grossas, que diz que são os que arranham mais à saída o ilhó e a pesquisa feita no número 1 desta lista. O sacripanta!
- existe a palavra berlaitada/calao?: se não existe, estou feita, sou capaz de recorrer a ela numa base bisemanal, porque "trungalhunguice" dá mais trabalho a pronunciar, por exemplo, com três Margaritas no bucho. Isto na situação hipotética de eu as beber e depois assediar Senhor meu Marido.
- molho tuga h3 bimby: eeerrrr, não sei bem como ajudar este amiguinho, mas vou dar o meu melhor: beldroegas, funcho e muito alho, Varoma com colher inversa a 100 graus. Sal q.b., azeitonas a gosto, óleo de coco desidratado. Três colheres de sopa de polvilho, mas do salgado. Deixar levedar de um dia para o outro. Servir morno, acompanhado de puré sedoso de couve galega e pastinaca. De nada.
- lenços para banco traseiro carro: eh lá, que isto me soa a cowboyada da boa! Como te poderei ajudar? Toma, lê isto e não digas que vais daqui. Cá beijinho. Hã? Não tem nada a ver? Temos pena, só sei que foi um texto que me deu uma trabalheira desgraçada, por isso lê e cala-te.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

domingo, 15 de janeiro de 2017

Máinovo e as conjugações verbais

- Queria for eu a deitar fogo de artifício, mas isso é só para os crescidos.
- Queria "ser" eu.
- Pois queria, mas só posso quando eu ser grande.
- Quando eu "for".
- Tu és complicada.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Diário felino #2

Pequenos pompons crescem a olhos vistos, não tarda vão para a panela. Só ainda estou a pensar de que forma não ficar com pelos na caldeirada. Por falar em comida, Máivelho decidiu provar a ração dos gatos e nem a achou má de todo: escusado será dizer que agora é chantageado sem dó nem piedade ("Ai não queres a sopa? Vou buscar a comida dos teus irmãos peludos!", "Não gostas do peixe? Preferes Royal Canin?!"). Os meus banhos, por seu turno, nunca mais foram os mesmos: criaturas felinas têm uma fixação doentia com banheiras no geral e com a minha em particular, jogando-se em voo quando lá estou procedendo ao lavamento de corpitxo bonecal, derrapando que nem loucos e fugindo logo de seguida quando sentem a água nas patas. Acabou o sossego. Tenho ideia que ando menos lavada desde que adotei esta malta. 

De resto, apenas uma nota para as frases idiotas que agora se ouvem no agregado familiar, como "Onde estão os gatos? Na gaveta.", "Não beijes o bicho!", ou "Ele está a pisar-me o cabelo." Outras há que bem que poderiam ser referentes a nós enquanto casal mas que agora são atribuídas aos gatos, como  "A sacana mordeu-me o rabo!", ou "Que belo pêlo lustroso, vou afagá-lo!", ou mesmo "Quem é que anda a passear pelas minhas partes baixas?"

Nota mental: verificar se o seguro dos animais cobre
tratamentos estéticos para donos.
Podia ser pior: podíamos estar no verão...
Aqui estava presa nas escadas a pedir socorro,
não tinha coragem de a acordar.
Não se largam um segundo.
Nem a mim. 

Tendo em conta que não terei meninas,
congratulo-me por esta.
Miúdos deitados + Netflix + gatos em cima de um de nós (ou dos dois):
resumo dos serões em agregado bonecal. 
Os Máinovos da casa ❤
Os ajustes de filtro que tenho de fazer para se conseguir
vislumbrar o gajo.
Cachucho Miguel e Ginjinha Sofia
Yin e Yang

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Ser mulher é tramado

E há dias em que o sinto particularmente na pele. Na Visão online, desta feita "dissertei" sobre a minha dificuldade em escrever uma crónica. E Senhor meu Marido não ajudou, propriamente. Estafermo.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Máivelho, pizza e mamas

Máivelho tem como foto de capa do telemóvel uma fatia de pizza. De pepperoni. Um amigo nosso, depois de ver aquilo, virou-se para ele com ar indignado:
Devias era ter uma gaja com umas grandes mamas, pá!

Ele, com o ar mais surpreso que se pode imaginar, responde:
Mas eu gosto mesmo é de pizza.