quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Sexy, again

Máinovo continua nesta marmelada de chamar sexy a tudo (vide post abaixo). Desta vez a conversa foi com a avó:

- Avó tu és mesmo sexy! A mãe já me explicou que sexy quer dizer gira.
- Tu também és muito giro, querido.
- Nem quero acreditar que tu e o avô estão quase a ir para o céu!

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Sexy mama

Máinovo aprendeu uma nova palavra. Espetacular, a escola nova já está a dar frutos. Uau, e que palavra é essa, que aos 5 anos do rapaz ainda é nova, nossa doce, perguntam vocês? Será "amortização"? "Inexorabilidade"? Ou algo mais bucólico como "bucólico?" Nada disso. Explicou-me Máivelho que a dita palavra foi adquirida aquando de um jogo de PlayStation e quanto mais ele diz ao irmão para não estar sempre a repeti-la... é que nem vale a pena acabar a frase porque é óbvio que a criança não se cala. A palavra é "sexy". Pausa para explicar que os miúdos não andam a jogar nada que seja badalhoco, que eu já fui verificar. 

Bom, estava eu a contar que agora para o pinchavelho mais pequeno tudo é sexy, os cereais do pequeno-almoço "estão muito sexys mãe", o creme que lhe ponho nos cotovelos de pele atópica é "fresquinho e sexy", a trotinete é "bueda sexy". Até aqui tudo bem, o pior é quando avançamos para conversas do tipo "o pai é mesmo sexy, pois é mãe?" Eeerrrr, eu cá também acho, filho, mas se calhar não vamos andar a repeti-lo aos gritos pelo distrito de Setúbal, porque já não tenho idade para andar a partir rótulas como há 10 anos.

Foi assim que resolvi perguntar-lhe se sabia o que a palavra significava (obviamente não) e convencê-lo que seria muito mais fixe ele usar a palavra "giro", que assim toda a gente percebia.
- Ah, mas eu tinha razão. O pai é sexy. E tu também és muito sexy, mãe.
- Obrigada filho, mas olha, diz que o pai e a mãe são giros, que nós gostamos mais.
- Está bem, mãe sexy.

Não sei se isto vai correr bem, temo que na escola nos achem uma família tresloucada e incestuosa, mas não sei que mais lhe hei de dizer. Sobretudo quando, antes de sair de casa para ir para escola, a criatura berrou nas escadas do prédio, fazendo um eco que se propagou até ao Parque das Nações:

ATÉ LOGO, MAMÃ SEXYZONA!!!

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Conversas parvas comócatano #28

- Bora lá ao Celeiro comprar daquelas tâmaras maravilhosas!
- Bora!
- Uma tâmara aqui do município de Lisboa pode ser chamada "tâmara municipal", pois pode?


E o tamanho destas bichas, hein?
(das unhas também, eu sei...)

domingo, 18 de setembro de 2016

Dos recomeços

Este não é o texto tradicional sobre o primeiro dia de aulas, porque este ano fui sujeita a um turbilhão de emoções absolutamente fora do comum. Tudo porque os rapazes mudaram de escola, cada um para a sua, numa outra cidade (a minha querida Setúbal), sendo que o que para Máinovo era uma alegria, uma antecipação carregada de emoções felizes, para Máivelho era apenas ansiedade e receio. Foi difícil para mim, obviamente, lidar com o que era basicamente felicidade de um lado e tristeza de outro.

No primeiro dia começámos logo pela fresquinha com as apresentações na escola do Máinovo, que foi imediatamente largado com um bando de crianças desconhecidas e se enturmou como só ele. Aliás, a única preocupação verbalizada durante todo o processo foi "Quem é que me vai limpar o rabo?" Meu rico filho. A única frustração que demostrou no final foi não poder passar o dia todo na escola, porque ainda lhe faltava explorar o campo de futebol. Bom sinal. Objetivo cumprido.

Tempo de passar à parte mais angustiante do dia, a da escola de Máivelho. Nem o McDonald's lhe mitigou a preocupação e o ar dele era de dar dó. Por várias vezes tive de me conter e disfarçar as lágrimas, numa escola que há 30 anos foi minha e da qual tenho as melhores recordações. Não obstante, vê-lo a um canto, cabisbaixo, afastado de uma vintena de miúdos que já se conheciam do ano anterior doeu como nunca pensei ser possível. Vim a saber que o isolamento continuou por imposição dele, que não se quis dar a conhecer e que, afinal, tenho um filho bem mais tímido do que julgava. Foi por isso com alívio que saímos da escola, onde só decorreriam nesse primeiro dia as apresentações.

O segundo dia traria um novo fôlego. Máinovo basicamente irrompeu sala adentro, disse-nos um "txau mãe, txau pai, txau mano, txau avós" (sim, fomos todos, somos esse tipo de pessoas) e foi à sua vida. Fomos informados que seria nesse dia responsável pela tartaruga e, confesso, comecei a preparar o discurso das exéquias fúnebres de piquena Caretta caretta, que com certeza iria falecer às mãos desta criança (que manifestou desde logo a intenção de dar colo ao bicho)*. Quanto a Máivelho, vim a saber pelos avós que o levaram à escola, continuava tristonho. Escusado será dizer como estava o meu estado de espírito no trabalho. A coisa só melhorou com o telefonema dele no final das aulas da manhã, já com uma voz diferente, um tom apressado e entusiasmado, dando-me a entender que só queria tranquilizar-me, mas rápido, porque queria despachar-se para voltar para a escola. Oi? Mas o que se tinha passado? Tinha-se passado os amigos novos, tinha-se passado as miúdas que engraçaram com ele, e sobretudo tinha-se passado um furo providencial de uma hora que lhe deu oportunidade de se enturmar e de, assim, dar início àquele que, espero, seja um ano de novas oportunidades, novos desafios e novas pessoas na sua vida. 

E foi assim que o camião de pedras que me estava a pesar no peito meteu a primeira, arrancou e não mais apareceu. Caramba, ser mãe custa.


* SOBREVIVEU!!!

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Os sanitários são para uso exclusivo da clientela

É minha firme convicção que os responsáveis pela administração da maioria dos estabelecimentos que servem refeições ensandeceram de vez no que toca à proteção das respetivas instalações sanitárias. O que começou por ser apenas uma medida de dissuasão de abusadores depressa se transformou numa cruzada "estabelecimento vs. mijonas", em que o vencedor é geralmente quem está atrás do balcão e faz sua cruzada impedir o esvaziamento das bexigas ou intestinos da clientela. Concedo, acho bem que apenas permitam a utilização dos lavabos aos clientes, senão rapidamente a coisa descambava para sanitário público, mas é com alguma apreensão que constato termos chegado a um ponto de não retorno.

Estou obviamente a referir-me aos pinchavelhos acoplados às chaves dos WC de certos bares/restaurantes. Não quero nomear nenhum, mas um sítio que eu costumo frequentar que começa em Pa e acaba em Guesa, com as letras daria e Portu no meio, entrega, a quem pretenda aliviar-se, um bacamarte gigantesco em forma de tijolo. E, meus amigos, só quem faça regularmente Body Pump com 3,5 Kg no mínimo na faixa de bícipede é que conseguirá transportar o catramolho que lhe passam para a mão e não fazer um xixi logo ali no chão devido ao esforço de arrastar aquele peso monstro.

O que começou, portanto, por ser um porta-chaves normalzinho foi crescendo, crescendo, crescendo, e eu temo pelo dia em que teremos de arrastar uma carcaça de búfalo, uma mesa de snooker ou a ajudante da cozinheira.

Caríssimos, AS 'SSOAS SÓ QUEREM FAZER AS SUAS NECESSIDADES! Não querem contrabandear estupefacientes, nem montar um matadouro ilegal naquele espaço exíguo. Com certeza que também não fazem tenção de pintar hieróglifos na parede com as próprias fezes enquanto entoam cânticos de aleluia a Satã, por isso, não lhes dificultem tanto a vida. Seguramente a sensação que possuem já será desconfortável o bastante sem terem ainda de lhe juntar um catrapázio* com duas toneladas. Tende sensibilidade.

Para terminar, vai daqui uma valente beijoca de solidariedade para a querida senhora, claramente aflitinha e quiçá já soltando umas pinguinhas, que levou agarrada à chave da casa de banho algo do tamanho de uma tenda de campismo com capacidade para 4 adultos e 3 crianças. Pense positivo, Tia Emília, pois se pretendia privacidade, era só enfiar-se na tenda. Talvez para a próxima se lembrem de atracar um Petromax à chave e terá a experiência completa, escusa de ir para uma roulote no Inatel.



* diz que a palavra correta é catarpácio, mas não acho que tenha o impacto que pretendo, lamento.

terça-feira, 13 de setembro de 2016

Festejando com fedelhos

O tema "festas de aniversário infantis" é recorrente cá no barraco, mais não seja porque chego a ter 163 fins de semana seguidos em que não tenho parança, seguindo a agenda social da minha prole, que é mais agitada do que a das Kardashians. Houve, se bem se lembram, a famosa festa onde o Ruca foi violado, e a minha análise comparativa entre festas de velhos e festas de novos

Desta feita venho proceder a uma reflexão sobre / demonstrar solidariedade para com os animadores de festas de fedelhos. Dei comigo a pensar que entre ter de me vestir de Elsa e aturar uma dúzia de criaturas de meio metro em histeria envergando asas feitas de balões e borrar um pé todo até ao joelho, eu de bom grado receberia a bosta fumegante. Não me entendam mal, gosto moderadamente de crianças com mais açúcar a circular nas veias do que sangue, até foi bastante divertido vê-las em rodinha a guinchar "Já passoouuu!!!" (e eu a pensar, não passou nada, que vocês ainda não faleceram todos. Pronto falecer também não, mas talvez adquirirem uma condição física que vos estrague as cordas vocais de uma forma semi-permanente). Foi até bastante divertido vê-las todas com as caras pintadas menos os meus e pensar "Hahhahha já se lixaram, que vão ficar com as cadeirinhas todas cagadas e eu não". Mas, efetivamente, fazer disto ocupação de fim de semana é que é caso para motivar uma nomeação para Prémio Nobel da Santa Pachorra. Um dia aguenta-se, mas imagino que ao fim de uns quantos fins de semana nos quais a única companhia sejam pequenos índios em choque glicémico o caso mude de figura e, aos primeiros acordes do "Já passoooooou!", os animadores estão bons para subir a uma árvore, arrancar dois galhos e enfiar um em cada olho. 

Mas pronto, as crianças andam felizes, festejam o aniversário e para o ano é rezar para que as personagens sejam outras e a porra da música mude e seja menos irritante. Deixo-vos a belíssima banda sonora do meu domingo, desejando que também a vós vos dê ganas de agarrar numa catana azul glitter e varrer tudo a eito enquanto gritam lançando os mais variadíssimos perdigotos da boca: "Ai já passou, foi?! E agora?! Também te parece que já passou, hein???!!"



Não poderei esquecer de deixar aqui uma palavra de apreço às mães de miúdas: quando penso que gostaria de ter tido uma, lembro-me delas mascaradas de Elsa, pinturas na cara, a chorar pelo facto de uma ter as asas cor de rosa e a outra querer iguais e variadíssimos outros dramas fraturantes. Depois olho para o outro lado e vejo os meus - todos porcos é certo - apenas a jogarem à bola e a distribuírem a ocasional galheta no cachaço um do outro e penso: "Dasse, mais uma meia hora disto e já passou."

domingo, 11 de setembro de 2016

Mãe sofre #101

- Fizeste xixi nas cuecas, Gui?!
- Pois.
- És um grande badalhoco.
- Pois sou.
- E agora andas sem cuecas, estás contente?
- Por acaso até acho bué divertido.