segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

Um quase suicídio, um quase assassinato e um quase spoiler

Atirei-me das escadas com o ga-to-to, mas o ga-to-to não morreu-eu-eu. Já eu, ia enfartando com o susto. Por um lado, com medo de ter efetivamente matado o bicho. Segundo, porque já não é a primeira vez que me esbarrondo das escadas abaixo. Da primeira vez, estava grávida e preguei um susto de morte à minha Dona A., que manobrava o aspirador toda afoita corredor afora e me apanhou em voo picado. Da segunda, parti o cóccix e andei a sentar-me num donut durante meses. Ora, portanto, hoje parece-me apenas que estou dorida, e para a posteridade fica o registo da minha preocupação abnegada primeiramente com o bicho, que levou com um pézão no lombo macio, o que me parece terá potenciado o efeito de slide, numa rapidez tão estonteante que fiquei sem saber se aterrei em cima dele se das escadas. Terá sido a segunda hipótese, dado o grau de latejamento de béfe bonecal. O lombo macio sempre teria atenuado o impacto. O bicho, esse fugiu a alta velocidade escada abaixo, ante o olhar estupefacto da irmã - alheia ao facto de ter sido culpa dela, para quem eu olhei e pensei "a ver se não piso a gata", ignorando o gato cor de luz apagada imediatamente ao lado - fugindo da sua carrasca como o diabo da cruz.

Fui a correr atrás dele, gritando "DESCULPA, CACHUCHOOOO", o que ainda exacerbou mais o pânico do bicho, que entretanto tinha duplicado de volume, de tão eriçado que estava, sobretudo ao nível da cauda.

[Pausa para admirar o animal que é bonito comócatano, assim todo felpudão.]

Bom, não o consegui apanhar para lhe pedir desculpa e fazer umas festas, porque o gajo enfiou-se de baixo de um sofá e ficou de lá a mirar-me com ar de "porra, já cortavas os hidratos à noite". Ainda ensaiei uma festinha na cabeça, mas ele não se compadeceu, preferindo confraternizar com os rolos de cotão que habitam o chão do escritório. Agora só me resta esperar que logo ao regresso ele já se tenha esquecido do acontecimento e que não lhe suceda como o protagonista do This is Us, série da qual tinha 5 episódios pendentes e que visionei este fim de semana, que morreu algumas horas depois de ter inalado fumo. Espero bem que o meu gato não morra algumas horas depois de eu lhe ter pisado o lombo até quase lhe terem saltado ojólhinhos.

Ah, achei que gostariam de saber que aprendi a lição: não tentar poupar eletricidade quando se tem animais e escadas. E se é míope.


Assim de barriga para cima até se vê bem.

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

...

A última vez que aqui vim estava a iniciar-se um processo bem doloroso. Decidi aqui vir agora que terminou. Espero eu que tenha terminado. Se calhar, se ficar aqui registado com palavras verdadeiras termina mesmo. Apetece-me escrever "Deus queira que sim", mas seria um pouco hipócrita da minha parte. Só falo com Ele quando preciso de favores, sou mesmo interesseira. Nos últimos meses pensei mais em fé do que na minha vida toda e tive a lata de pedir coisas que não mereço. Mas não eram para mim, e pode ser que assim me sejam concedidos os milhentos desejos que formulei.

Gostaria muito de voltar aqui ao pardieiro, sobretudo com aquele registo vosso conhecido. Caramba, já deixei passar tiradas brilhantes dos meus "Mái", que mereciam ser esculpidas em pedra. No outro dia dei por mim de Borda d'Água na mão a pensar que, noutra altura, percorrê-lo-ia a tirar notas para fazer aqueles textos de início de ano. Noutra altura, contei ao Compadre que me tinha caído uma pingona de água gigantesca na tola, que me varreu desde as pestanas até às marufas, tendo ele comentado que "noutros tempos isso daria motivo para um post". Enfim, como já percebi que efetivamente há quem vá estando por aí e até voltando a ver se algo se passa (e quem tenha mandado mails bem queridos!), resta-me comunicar-vos que não desisti disto. Só não estava mesmo com paciência nem vontade. Nem inspiração. Parecia-me uma traição ter o maldito cancro a corroer-me a família e eu a escrever parvoíces. 

Mas agora que se vê luz ao fundo do túnel, gostaria de agradecer as mensagens de todos, e sobretudo de dizer que conto voltar*. 

Cá beijinho.




* (ainda que esta porcaria deste Blogger me esteja a dar cabo dos nervos)

domingo, 4 de fevereiro de 2018

Está aí alguém?

Caras pessoas amistosas, sobretudo as que têm vindo ao barraco moribundo tentar prestar-lhe SBV,
Enquanto arranjo e não arranjo forças para cá voltar numa base decente, espero que esta minha singela crónica na Visão vos sirva de algum consolo. Ora peguem lá este miminho, coisas máiboas de vossa Boneca: A contagem crescente para os 50. E como eu sei que vocês (ao contrário de alguns comentadores no Facebook da revista Visão) sabem interpretar a língua de Camões e até têm bastante sentido de humor, benzavosdeus, não vos preciso de dizer que há ali ironia e brincadeira, poinão? Ora cá beijinho.

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Parabéns

Chega a novembro e os Escorpiões começam todos a sair da toca. Inaugurou a época de aniversários Máivelho, vens agora tu, e daqui a uns dias serei eu. Pela primeira vez passarei o dia de anos completamente sozinha, numa cidade e num país que não conheço. Bem, talvez não me deva queixar, Viena parece-me um belíssimo sítio para se estar no dia de aniversário. E haverá quem lá vá ter comigo mais tarde, por isso estou a queixar-me de barriga cheia e por antecipação, pelo dia agridoce. Mas na agridoçura bates todos os recordes hoje, hein? Festeja-lo, sim, mas... enfim, dói ver-te assim. Saber-te assim. E, sendo eu uma tua fotocópia, irrita-me a transparência com que te leio os tiques, os rodeios e a (aparente) bonomia com que encaras o futuro. 

Mas sabes que mais? Novembro é nosso, sempre foi, por isso não vai ser este mês que sempre nos cunhou a ferro a personalidade (já reparaste que ninguém nos atura?) que nos vai derrotar. Aliás, encaremo-lo como um aliado, como um sinal de que, sendo exatamente neste momento do ano que se inicia um longo processo que se crê penoso, tudo irá acabar por se resolver. Há muito ainda pela frente, pá. Netos que existem e que ainda estão por existir, romãs para colher (embora já não as queiras descascar, sacana) e periquitos para criar. E gatos, também há gatos, que de bom grado empresto para puxares o rabo e fazeres as judiarias costumeiras.

Vá, até logo. Eu levo o bolo de bolacha, leva a mãe e os miúdos. E velas, muitas, 64 para ti e 12 para o teu melhor amigo.

terça-feira, 7 de novembro de 2017

Parabéns, Máivelho

Oh rapaz, que me foste fazer anos em cheio nesta fase tão ruim. Lá tenho de engolir as preocupações e fazer as macacadas que se espera, não é? E lá tenho de me dirigir ao computador e abrir o Blogger, que tanto me tira do sério! Não poderia deixar de assinalar este dia, uma vez que chegaste a uma fase da tua vida de que me lembro vividamente. Verdade, lembro-me como se fosse ontem de quando fiz 12 anos, neste mesmo mês, que é nosso, de ter entrado para o mesmo liceu, que agora também partilhas comigo. Dispenso, no entanto, que tenhas em comum comigo o coração que vi partido pela primeira vez a sério no 7.º ano. De resto, partilhamos as boas notas, as respostas prontas, a cabeça relativamente ajuizada e uma inocência que depressa se desvaneceu/desvanecerá, fruto do decorrer normal da vida. Filhote, mais um marco, aproximas-te da adolescência a olhos vistos, embora no recato do nosso ninho (e sobretudo na tua relação com o mano) continues o mesmo menino de sempre. Aqui entre nós, connosco podes continuar a sê-lo enquanto quiseres. O meu menino dos olhos bonitos. Parabéns, meu querido.

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

Cenas, coisas e outras cenas ainda

Car@s,
Sinto que devo explicar esta ausência prolongada e intermitente. Recebi alguns mails, e aquece-me o coração empedernido saber que alguém sente falta das minhas palavras. Uma amálgama de falta de vontade, uma doença grave de um familiar próximo e irritação permanente com a plataforma onde está alojado o blogue são os responsáveis pela falta de notícias que tenho dado. Habituei-me(vos) a escrever todos os dias, mas custa-me fazê-lo por obrigação, até porque penso que isso acabe por transparecer, e não é fixe. Tenho milhentas historietas de Máinovo, como devem imaginar, mas não me agrada a ideia de alimentar o blogue apenas com isso. Assim, peço alguma paciência, até porque estou realmente a considerar mudar de domínio (será assim que se chama?) e, não sendo info-super-mega-incluída, penso que importar todo um blogue seja coisa ainda para dar alguma trabalheira. Além disso, confesso, tenho medo que a coisa corra mal e que eu perca textos. Porque, no fundo, o objetivo deste pardieiro continua a ser o registo de momentos/ideias/peripécias para que, daqui a uns anos quando eu achechezar de vez, os meus netos possam sacar disto e ler-me através de um megafone, enquanto eu dou puns sem vergonha nenhuma. Sim, é essa a velha que eu vou ser.

Entretanto, se alguém tiver ideias brilhantes sobre como passar esta joça toda para outro lado (Sapo, Wordpress,... de preferência com bom apoio mobile, que foi essa porcaria que acabou no blogspot e que me está a tirar do sério), chutem, porque até nisso ando desnorteada. 

Beijos e abraços, e vigorosas lambadonas em quem escreve abreijos.

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Mãe sofre #119

(Ouvem-se gritos de Máivelho, que berra para o irmão sair da frente da TV, que lhe está a tapar a vista. Máinovo vem para ao pé de mim na cozinha)
- Gui, diz ao teu irmão que não tem o direito de te tratar mal.
- Só tu?

domingo, 22 de outubro de 2017

Pensamento de fim de semana #113

É possível ficar-se mais excitadona ao se carregar no botão "Pagar" na caixa self-service do Pingo Doce e se ver o valor a diminuir devido às promoções do que com um belo rabo nu.